A corrida da CBF pelos filhos da diáspora brasileira

A CBF intensificou o mapeamento de jovens ligados à diáspora brasileira no futebol depois que a abertura do mercado europeu, nos anos 1990, acelerou a saída de jogadores para o exterior. Hoje, os quatro observadores técnicos do departamento de seleções mantêm catalogados mais de 30 atletas nascidos entre 2007 e 2011 e vinculados a clubes da Europa, dos Estados Unidos e da Arábia Saudita. Com informações do Extra.
A lista reúne filhos de brasileiros que migraram, jovens identificados cedo em campos do país e atletas nascidos de pais com nacionalidades diferentes. A entidade tenta se aproximar dos mais talentosos antes que eles escolham outras seleções. Entre os monitorados está Samuele Inácio, 18, nascido em Bergamo, na Itália, filho de pai brasileiro.
A preocupação da CBF tem precedentes conhecidos. Thiago Alcântara, filho do ex-lateral Mazinho, Rodrigo Moreno, filho do também ex-lateral Adalberto, e Enzo Alves, filho do ex-lateral Marcelo, passaram pelas seleções espanholas de base e foram aproveitados pela Espanha. A disputa por esses jogadores envolve tanto formação esportiva quanto identidade familiar e oportunidades oferecidas por outros países.
As regras da Fifa ajudam a explicar a pressa: um atleta com contrato de formação com clube brasileiro a partir dos 16 anos só pode se transferir ao exterior aos 18, mas antes dos 16 pode emigrar se os pais se mudarem. O caso de Rafael Belinho ilustra esse caminho: liberado pelo Vasco em 2021, aos 11 anos, após proposta de trabalho ao pai na Croácia, ele passou pelo sub-13 do NK Vidobol, foi para o Dínamo Zagreb, naturalizou-se croata e, hoje aos 17, já teria interesse do Barcelona, segundo jornais espanhóis, com multa de 100 milhões de euros.
