Celular se torna ferramenta de inclusão para pessoas em situação de rua

Por UOL Notícias
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Eles não têm moradia fixa, segurança, comida garantida, cuidados médicos nem atividades sociais. Mesmo sem o imprescindível, consideram hoje o celular –principalmente com acesso à internet– uma necessidade básica, sem a qual sua s vidas pioram consideravelmente. Nesse universo onde a falta de coisas é regra, os recursos dos telefones oferecem algum tipo de inclusão. Ainda que seja momentânea: pelo tempo que durar a bateria, o acesso à rede Wi-Fi ou o próprio aparelho, que geralmente já chega bem surrado às suas mãos.
“O celular muitas vezes faz com que pessoas em situação de rua rompam com o isolamento, a solidão. Também ajuda para contatos de emprego e para pedir próprio aparelho, que geralmente já chega bem surrado às suas mãos. socorro. Eles relatam por WhatsApp situações difíceis, como a espera por vaga em centros de acolhimento, ou gravam vídeos mostrando as agressões da polícia e a chegada do rapa [fiscalização das autoridades]”, conta o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo.
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As maneiras de adquirir os telefones variam. “Se tem uma coisa que é fácil e barata de arrumar é um celular. Por R$ 100 você compra um aparelho que custa R$ 1.000 nas lojas”, revelou um dos entrevistados, que vive nas ruas e não quis se identificar, referindo-se ao mercado de produtos roubados.
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Tem também a carga de bateria, um desafio evidente para pessoas sem acesso à rede elétrica. Resolver o problema passa pela boa vontade de donos de banca de jornal, de bares, de lojas e também dos centros de acolhida, que emprestam suas tomadas aos frequentadores. É comum o compartilhamento de carregadores e de conhecimento técnico, na hora de consertar os telefones.
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