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Cenipa: avião da Voepass não poderia ter decolado; entenda

Coletiva do Cenipa sobre a investigação da queda do avião da Voepass – Foto: Reprodução/X

O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da FAB, apontou falhas da Voepass, dos pilotos e da fiscalização da Anac na queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. O documento, apresentado nesta quinta-feira (23), concluiu que o avião não poderia ter decolado no horário previsto porque havia previsão de chuva e a aeronave tinha falha no limpador de para-brisa.

Segundo o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador encarregado pelo Cenipa, o avião também voou por oito a dez minutos em uma área com condições de gelo severo. A investigação identificou falhas no sistema de degelo em voos na véspera da tragédia que não entraram no diário de bordo, além de conversas pessoais dos pilotos durante a gravação da caixa-preta e o não acionamento de protocolos após alertas de acúmulo de gelo.

Fróes afirmou que a análise de 1.206 voos da companhia no ano anterior ao acidente revelou uma “cultura de normalização de desvios” na Voepass, com pilotos e mecânicos deixando de registrar panes para que aeronaves seguissem voando. O Cenipa também apontou que auditorias e inspeções da Anac já tinham identificado não conformidades na manutenção e na rastreabilidade de componentes, mas não levaram a medidas capazes de reduzir os riscos. A Voepass disse que o acidente foi o episódio mais grave de sua história, afirmou que prestou apoio às famílias e declarou que segue colaborando com as investigações.