Certidão de óbito de Zuzu Angel é retificada e reconhece crime da ditadura

Após quase 50 anos, a certidão de óbito da estilista Zuzu Angel foi oficialmente retificada pelo governo federal. O documento, entregue em cerimônia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais na quinta-feira (28), reconhece que sua morte foi “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.
A versão original registrava apenas fratura craniana e hemorragia subdural como causas da morte, ocorrida em 1976, em um acidente forjado pelo regime militar. Com base na Resolução nº 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a mudança corrige o registro e estabelece responsabilidade direta da ditadura. Outras 20 famílias também receberam certidões retificadas de parentes mortos ou desaparecidos políticos.
A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, destacou que a medida representa um marco na reparação histórica. Segundo o governo, até o fim de 2025 cerca de 400 certidões de óbito de vítimas da repressão serão retificadas, consolidando um reconhecimento oficial de crimes cometidos pelo Estado durante o período ditatorial.
