Cerveja “zero álcool” pode ter álcool? Entenda a diferença que confunde consumidores

Cerveja zero álcool e cerveja sem álcool não são a mesma coisa pela legislação brasileira, embora os termos pareçam equivalentes para muitos consumidores. A instrução normativa nº 65, de 2019, permite que apenas cervejas com até 0,05% de álcool usem a indicação “zero álcool”. Já as cervejas sem álcool podem ter teor alcoólico de até 0,5%. Como comparação, uma cerveja tradicional costuma ter cerca de 5% de graduação alcoólica.
O consumo de versões com pouco ou nenhum álcool cresceu no Brasil, impulsionado por escolhas ligadas à saúde, direção responsável e restrições alimentares. Dados do Anuário da Cerveja 2025 indicam que a produção de cervejas sem álcool ou desalcoolizadas, com teor alcoólico igual ou inferior a 0,5%, saltou de 119 milhões para 757 milhões de litros entre 2023 e 2024, alta de 537%. Apesar do avanço, esse tipo de bebida ainda representa 1,27% da produção nacional de cerveja.
A base da fabricação é a mesma das cervejas tradicionais: água, malte, lúpulo e levedura. A diferença aparece depois da fermentação, quando os açúcares se transformam em álcool. Para reduzir o teor alcoólico, as cervejarias usam a desalcoolização, que pode ocorrer por processos físicos, como destilação a vácuo, ou por métodos biológicos, com leveduras especiais. O objetivo é manter características sensoriais da bebida com menos álcool no produto final.
