Alerta do ChatGPT leva à prisão de agricultor suspeito de planejar morte do filho

Um agricultor de 36 anos foi preso preventivamente em São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, após a OpenAI alertar autoridades dos Estados Unidos sobre conversas no ChatGPT que indicavam risco de violência contra o filho de 8 anos e contra outras pessoas. O FBI comunicou o caso às autoridades brasileiras, e o Ciberlab, do Ministério da Justiça, encaminhou as informações à Polícia Civil capixaba. A prisão ocorreu em 19 de junho, um dia antes da data em que, segundo a investigação, o suposto plano poderia ser executado.
A Polícia Civil afirma que encontrou quatro frascos com substância ainda não identificada e uma corda na residência do investigado. O celular também passou por perícia para verificar se ele contatou alguém para matar a criança, como havia relatado à ferramenta de inteligência artificial. O delegado Brenno Andrade disse que o homem confirmou parte das pesquisas, mas negou que pretendesse matar o filho. A defesa sustenta que ele não praticou crime e que as conversas com a IA não passaram de cogitações.
A Justiça concedeu habeas corpus ao agricultor após 54 dias de prisão, ao considerar excessiva a demora para a conclusão do inquérito e sem denúncia do Ministério Público. Ele deixou a prisão com tornozeleira eletrônica e não pode se aproximar nem manter contato com o filho ou com a mãe da criança. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que as mensagens podem justificar medidas de proteção diante de risco iminente, mas defendem acesso à íntegra das conversas, incluindo as respostas do ChatGPT, para avaliar a autenticidade, o contexto e o peso da prova em eventual processo.
