Cientista da UFRJ defende divulgar remédio que ela mesma criou: “Não posso ser conservadora”

A cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, professora da UFRJ, anunciou que não pode mais manter uma postura conservadora após 25 anos de pesquisas em silêncio. Ela liderou a descoberta da polilaminina, um medicamento que apresentou resultados extraordinários na reversão de lesões medulares em humanos. “Não tenho mais o direito de ser conservadora. Então, nesse momento, tenho que me arriscar. Agora a ideia é juntar forças para a gente ir para frente, conseguir dar um passo a mais”, afirmou.
Os testes iniciais mostraram que oito voluntários com quadros de paraplegia e tetraplegia tiveram recuperação parcial ou total após a aplicação direta do fármaco na medula. A pesquisa já foi validada fora do laboratório de origem e amplamente testada em animais, sempre com resultados positivos. Agora, o laboratório Cristália, que investiu R$ 28 milhões no projeto, busca autorização da Anvisa para iniciar estudos clínicos mais amplos em hospitais de São Paulo.
Tatiana defende que a ciência deve dialogar com a realidade e assumir riscos quando necessário. Segundo ela, a prioridade é comprovar a segurança da polilaminina em humanos com lesões recentes, enquanto casos crônicos serão avaliados em uma segunda fase. A expectativa é que, em até três anos, o medicamento possa avançar para o uso regular, abrindo novas perspectivas para pacientes com lesões medulares.
