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Primeiro câncer contagioso entre peixes é descrito por cientistas; entenda

Peixes que teriam transmitido melanoma um para o outro . Foto: Reprodução/ Nature

Pesquisadores da Universidade de Vermont identificaram o primeiro câncer transmissível já descrito entre peixes. O caso envolve bagres da espécie Ameiurus nebulosus no lago Memphremagog, na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, e a revista Nature publicou o trabalho com destaque nesta quarta-feira (22). O melanoma que forma manchas pretas nos animais não nasce separadamente em cada peixe: as próprias células tumorais passam de um hospedeiro para outro.

O fenômeno difere de infecções que podem provocar câncer, como o HPV em humanos. Nesse caso, a célula cancerosa carrega o DNA do animal em que surgiu e age como um parasita. Entre 2014 e 2017, uma contagem encontrou lesões pretas e elevadas em 23% a 37% dos bagres analisados. O sequenciamento genético mostrou que os tumores eram mais parecidos entre si do que com o tecido saudável dos peixes que os carregavam; em 59% das alterações identificadas, os mesmos erros apareciam em 14, 15 ou nos 16 animais estudados. A busca por vírus e bactérias não encontrou microrganismo associado aos tumores.

O câncer transmissível já tinha sido descrito em cães, diabos-da-tasmânia e moluscos bivalves, mas este é o primeiro registro em peixes e em ambiente de água doce. O oncologista Stephen Stefani, do Grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, ressaltou que a descoberta não indica risco para humanos: “Câncer não é uma doença contagiosa. Nenhum câncer, em nenhuma forma, entre humanos”.

A forma de transmissão entre os bagres ainda não está definida; as hipóteses incluem contato físico durante a reprodução ou entrada de células pela pele, boca ou brânquias a partir do sedimento.