Cientistas usam moscas para revelar presença de onças e antas em áreas de preservação

Segundo reportagem da SuperInteressante, cientistas no interior de São Paulo estão utilizando uma técnica inovadora para monitorar a fauna: a análise de DNA presente no estômago de moscas. Esses insetos, ao se alimentarem de sangue, fezes ou carcaças, carregam fragmentos genéticos de animais que circulam na região. No laboratório, esse material é sequenciado, revelando quais espécies habitam o local sem que seja necessário avistá-las diretamente.
A metodologia, chamada iDNA, já identificou a presença de onças-pardas, antas e primatas em áreas de floresta próximas a fazendas em recuperação ambiental. O recurso tem se mostrado valioso para avaliar tanto a eficácia de projetos de restauração florestal quanto os impactos de práticas agrícolas regenerativas. Ainda assim, os pesquisadores destacam que o método aponta apenas a presença das espécies, não a quantidade delas, exigindo o uso complementar de armadilhas fotográficas.
O próximo passo dos estudos será repetir os experimentos em diferentes épocas do ano, a fim de acompanhar a dinâmica populacional da fauna. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Rizoma Agro, o Instituto de Pesquisa BioCGen e o Grupo HEINEKEN, e aponta para um futuro em que até moscas se tornam ferramentas de conservação da biodiversidade brasileira.
