Apoie o DCM

‘Cigarro vendido hoje é mais letal que há 50 anos’, afirma especialista

Presidente da organização de controle do tabagismo Campanha para Crianças Livres de Tabaco (CTFK), Matt Myers garante que o cigarro hoje é mais letal do que o vendido há 50 anos. Entre as razões para o aumento do risco, afirma, está a mudança do design do cigarro, que permite maior absorção da fumaça pelo fumante.

Myers, que esteve no Brasil semana passada, criticou a liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal suspendendo os efeitos da proibição do uso de aditivos no cigarro no País. Para ele, o Brasil perdeu a liderança no combate ao tabagismo.

“Ao ver que o cigarro passou a ser relacionado com câncer de pulmão e doenças cardíacas, a indústria tomou medidas para tentar melhorar a imagem do produto”, disse Myers ao Estadão. “Mas as mudanças acabaram por aumentar o risco. Recentes estudos feitos nos Estados Unidos mostram que o risco de o fumante morrer de causas relacionadas ao cigarro aumentou em relação ao que era registrado no passado. Artigos mostram, por exemplo, que o risco de desenvolver câncer de pulmão entre homens fumantes dobrou nos últimos 50 anos e, entre as mulheres, é cinco vezes maior.”

Como se sabe que o aumento nas taxas de morte é provocado pelo cigarro e não por outros fatores que aumentam o risco de câncer, como a poluição?

Ele criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal de suspender liminarmente em setembro a proibição do uso de aditivos feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

“A decisão do STF vai provocar consequências trágicas para a saúde. A medida da Anvisa havia sido adotada com base em dados científicos e representa um avanço importante para a política de combate ao tabagismo. O STF ignorou os estudos.”

“Está muito claro o poder da indústria do tabaco e, ao mesmo tempo, a vontade do governo brasileiro de colocar os interesses da indústria do tabaco acima dos interesses da população”, acrescentou. “Não há outra explicação. Não há nenhuma razão científica para que o Brasil não avance nas medidas de controle do tabagismo.”

Saiba Mais: estadão