Apoie o DCM

CNJ precisa punir desembargadora que difamou Marielle Franco, diz Kennedy Alencar

De Kennedy Alencar em seu blog.

No sábado, o PSOL anunciou que levaria ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) uma representação contra a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Marilia Castro Neves, que divulgou em rede social mentiras a respeito da vereadora Marielle Franco, assassinada na noite da última quarta-feira no Rio de Janeiro.

A decisão do PSOL é correta. Deve ser apoiada. É muito grave que qualquer pessoa difame alguém nas redes sociais. Em se tratando de uma desembargadora, é muito mais grave, porque a manifestação tem o peso da autoridade conferida a ela, uma magistrada da segunda instância da justiça estadual do Rio.

A autoridade de desembargadora dá um ar de veracidade a uma mentira. No caso, a uma tentativa de assassinar a reputação de Marielle Franco, uma cruel segunda morte da vereadora do PSOL.

O CNJ deveria tomar uma providência exemplar, porque uma desembargadora capaz de tamanha leviandade é um risco para os julgamentos que profere. É um risco para a sociedade.

Mas é difícil punir juiz no Brasil. O Judiciário é o mais fechado dos poderes. É mais corporativista do que o Executivo e o Legislativo. Esse caso dá ao CNJ uma oportunidade de combater maus juízes que abusam do imenso poder que possuem.

A manifestação da desembargadora contribuiu para divulgar a versão de que haveria seletividade na repercussão do assassinato de Marielle, como se outras mortes que ocorrem por violência urbana fossem menos importantes.

Das mentiras divulgadas, essa é a única que merece comentário detalhado neste espaço. Falar das demais aqui seria dar eco a barbaridades. Todas as mortes na violência urbana que se naturalizou no Brasil devem ser lamentadas, porque isso é um atraso civilizatório que atinge a todos os cidadãos do país.

(…)

A defesa dos direitos humanos é uma conquista civilizatória. Os países menos violentos são aqueles que mais respeitam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é de 1948. Isso não é coincidência. Sociedades que respeitam os direitos humanos são mais pacíficas e civilizadas. A vida e a luta de Marielle devem ser lembradas e honradas porque foram dedicadas a tentar colocar o Brasil no caminho da civilização.

(…)

O jornal “The Guardian” publicou no sábado um artigo no qual dizia que as comunidades pobres do Rio choravam a morte de uma campeã. É uma boa imagem enxergar Marielle como campeã. É preciso que a sociedade brasileira derrote os detratores e os assassinos de Marielle, pois eles são representantes da barbárie.

(…)

Marielle Franco durante sessão na Câmara do Rio em 2017 (Foto: Renan Olaz/Câmara do Rio)