Colunista de sátira da Folha pede: “mais Marielles, menos militares”
Da coluna de Renato Terra, que é roteirista e documentarista que satiriza o jornalismo, na Folha de S.Paulo.
Peço licença para abrir uma exceção. O assassinato brutal da vereadora Marielle Franco não permite que ocupe esse espaço com humor.
Marielle fez várias denúncias corajosas ao longo de sua vida. Dias antes de morrer, ergueu a voz contra assassinatos e intimidações na favela de Acari. Reunia acusações de moradores da Vila Kennedy contra a ação da prefeitura que demoliu quiosques em uma praça. São dois exemplos recentes.
Mas também tinha outro talento transformador: irradiava autoestima para negros, para mulheres, para favelados, mais especificamente para mulheres negras faveladas.
Essa combinação de coragem para denunciar e autoestima para mudar é, de longe, mais eficiente do que uma intervenção federal na segurança.
Sua trajetória pessoal é exemplo disso. Moradora do Complexo da Maré, perdeu uma amiga vítima de bala perdida. Foi mãe aos 19 anos.
(…)
Votei nela com orgulho e esperança.
A vida de Marielle inspira os moradores da Maré muito mais do que os soldados que passam por ali, vão e voltam. Nenhuma intervenção militar provoca mudanças tão estruturais na periferias quanto o trabalho e a trajetória de Marielle.
(…)

