Com mais de 26 mil prisões só este ano, São Paulo vive crise de cadeias superlotadas

A cidade de São Paulo registrou 26.661 prisões nos primeiros sete meses de 2025, o maior volume para o período em seis anos, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). O número representa aumento de 8% em comparação com 2024, quando foram detidas cerca de 24 mil pessoas. Paralelamente, os roubos (incluindo cargas e bancos) atingiram a menor marca da série histórica: 59.867 ocorrências, redução de 13,6% ante o ano anterior.
O crescimento das prisões exacerbou a superlotação carcerária: nove em cada dez penitenciárias paulistas estão acima da capacidade, com população carcerária crescendo 10% em cinco anos. Bruno Shimizu, da Defensoria Pública, critica a abordagem: “A militarização das forças de segurança prende principalmente infratores de baixa periculosidade, sem combater efetivamente o crime organizado”.
O governo de São Paulo promete inaugurar duas novas unidades prisionais até o final do ano para aliviar a superlotação. Enquanto isso, regiões como a Zona Norte registraram queda de 22% em roubos, demonstrando a disparidade entre eficácia policial e desafios estruturais no sistema prisional.
O delegado Carlos Eduardo de Carvalho, da 1ª Seccional, atribui os resultados ao “trabalho integrado com Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana”. Ele destacou “o combate incansável ao tráfico de drogas, com foco no traficante, além de operações contra crimes patrimoniais e receptação”. A região central concentrou quase metade das prisões em flagrante, totalizando 4.631 detenções.
