Apoie o DCM

“Com nova portaria, eu não teria libertado 2.500 pessoas do trabalho escravo”, diz fiscal

Do UOL:

A auditora fiscal do trabalho Marinalva Dantas é um símbolo da luta contra o trabalho escravo no país. Na chefia do grupo móvel do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), foi responsável por operações que resgataram cerca de 2.500 trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Ao ler a portaria do MTE que mudou as especificações para considerar o que é trabalho escravo, diz que chorou “por três dias seguidos”.

Suspensa por uma liminar da ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), a portaria fará o Brasil retroceder ao menos duas décadas, avalia ela.

“A escravidão nunca acabou no Brasil. O que estávamos era caminhando a passos largos para isso. Mas, com essa portaria, voltamos a como era em 1995”, disse, em entrevista ao UOL.

Naquele ano, lembra, houve um marco na luta contra o trabalho escravo com a criação do grupo móvel de fiscalização e a visita ao Estado de Alagoas, onde 20 mil pessoas foram flagradas em situação de trabalho degradante, mas não puderam ser resgatadas por falta de definições específicas para tal.

Segundo Marinalva, se a portaria publicada pelo MTE estivesse em vigor, não teria sido possível resgatar os trabalhadores.