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Com poucas chances, governo Temer tenta última cartada pela Reforma da Previdência

Reportagem de Hylda Cavalcanti da Rede Brasil Atual (RBA).

A abertura dos trabalhos do Congresso em 2018 está marcada para as 17h de hoje (5) e a reforma da Previdência continua sendo o assunto da vez. A diferença é que, agora, a tendência predominante é pelo adiamento da matéria, ainda que o governo se proponha a mudar projetos de lei já aprovados, referentes ao Refis para micro e pequenas empresas e à negociação de dívidas do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), para reverter o quadro desfavorável.

Os dois projetos foram votados no final do ano, mas receberam vetos de Temer no apagar das luzes de 2018 e estão na pauta de votações da Câmara nesta semana. O senador José Pimentel (PT-CE) afirmou que existe um movimento no Executivo para condicionar a derrubada do veto ao Refis do Simples Nacional à aprovação da reforma e que a oposição precisa ficar em estado de alerta. Já em relação às mudanças no Funrural, a informação foi repassada por um assessor da Casa Civil, em reservado.

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Mesmo diante de qualquer novo acordo a ser tentado, muitos consideram escassas as possibilidades de obtenção de número de votos suficientes para aprovar a reforma, principalmente depois de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ter anunciado a forte disposição de não colocar o texto em pauta, diante da resistência dos parlamentares.

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Na Câmara, o líder do PT, Paulo Pimenta (RS), já anunciou: a bancada da sigla vai obstruir toda e qualquer votação na Casa até sepultar em definitivo a proposta da reforma. Seja entre deputados da base aliada ou da oposição, a avaliação é que o governo tem, atualmente, menos votos para aprovar a proposta do que tinha em dezembro passado. Mas a ideia é não baixar a guarda, por conta da pressão do mercado financeiro sobre o tema e o compromisso que Temer tem com o empresariado.

 

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A preocupação tem razão de ser. A CUT denunciou que Temer pediu socorro aos empresários para conseguir o número de votos suficientes, conforme informou a agência de notícias Reuters. Segundo o presidente da central, Vagner Freitas, o Planalto repassou a representantes do empresariado uma lista com quase 90 deputados indecisos que deverão ser pressionados pelos representantes do mercado a votar a favor da medida.

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A análise sobre as dificuldades para apreciação da reforma da Previdência também é a mesma por parte de observadores políticos. “O tempo é muito curto para aprovação de uma reforma que exige processo demorado de votação”, avalia o diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop) Alexandre Bandeira.

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Michel Temer e Rodrigo Maia. Foto: Agência Brasil/EBC