Apoie o DCM

Comerciante usa faixa patriótica e irrita concorrentes asiáticos em SP

Folha:

“Essa loja é de brasileiro”, diz a faixa em cima do letreiro da Calde Bijuterias. Ali, no calçadão da rua Sete de Abril, no centro paulistano, todos os itens custam R$ 2,99.

“Precisava fazer uma propaganda diferente para o Natal. Como tudo está muito batido, apelei para a cooperação do brasileiro, pedir para ajudar outro brasileiro”, diz o dono do lugar, José Correa, 72. Ainda que não fale em valores, o empresário diz que a propaganda surtiu efeito: em dezembro de 2017, com a faixa, teve o dobro de vendas de dezembro de 2016, sem faixa.

(…)

Os arredores da faixa são uma tradução desses números. Todos as demais lojas de bijuteria daquele quarteirão do calçadão são administradas por asiáticos. Os donos da Wishing, no número 227, e da Lilian Presentes, no 204, foram procurados, mas preferiram não comentar a faixa. Outros imigrantes disseram em anonimato que se sentiram afrontados por ela.

(…)

A clientela analisa de maneiras diversas. “Eu entrei por causa do preço”, diz a faxineira Neide Sousa, 47, no corredor da Calde, onde só passa uma pessoa por vez. Acabou levando uma tiara. “Eu ia comprar ‘piranha’ de cabelo em qualquer lugar, daí vi a faixa e pensei: ‘Por que não aqui?'”, diz a estudante de administração Catarina Sá e Lima, 23. “Brasileiro se ferra tanto, afinal, por que não ajudar quando pode?”

A desempregada Lia Dias, 32, concorda: “Vim comprar presente de Natal atrasado. Se as pessoas gastassem com brasileiros, teria menos gente desempregada. Quem sabe eu não seria uma delas?”