Como age o pentobarbital, substância usada na execução que falhou nos EUA

O pentobarbital, substância usada na tentativa de execução de Christa Gail Pike, de 50 anos, atua deprimindo o sistema nervoso central. Esse barbitúrico reduz a atividade cerebral e pode provocar desde sedação até anestesia profunda e coma. Em intoxicações graves, pode comprometer a respiração, derrubar a pressão arterial e causar a morte. Pike sobreviveu ao procedimento nesta quarta-feira (30), no Tennessee, nos Estados Unidos, após receber duas doses, segundo seus advogados.
A bula disponível no DailyMed, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, informa que os barbitúricos deprimem a respiração de maneira dependente da dose. A administração intravenosa rápida pode causar apneia — interrupção da respiração — e queda da pressão. Na tentativa de execução, porém, Pike continuou respirando e emitindo sons semelhantes a roncos. Jornalistas presentes também relataram que ela falou e reclamou de dor no braço antes de ser levada a um hospital.
A sobrevivência não esclarece, por si só, por que o procedimento falhou. A defesa apontou problemas no acesso às veias e possível degradação do medicamento, questões que dependem de investigação. O Departamento de Correção do Tennessee afirmou que seguiu o protocolo, mas não explicou a causa da falha. O governador Bill Lee determinou uma revisão independente e suspendeu as execuções previstas até o fim do ano.
