Como camisinhas ajudaram pesquisadoras a entenderem as cigarras na Amazônia

Um experimento realizado por pesquisadoras brasileiras transformou preservativos de látex em ferramenta científica. O estudo, publicado na revista Biotropica, buscou comprovar as funções biológicas das torres de argila construídas pelas ninfas da cigarra amazônica Guyalna chlorogena, conhecida como cigarra-arquiteta. As estruturas são erguidas durante a última etapa da metamorfose, um dos momentos mais vulneráveis do ciclo de vida do inseto.
Para testar a hipótese de que as torres auxiliam na troca de gases, a equipe vedou completamente as estruturas com preservativos de látex, interrompendo a ventilação por cerca de 18 horas. Os resultados indicaram que as ninfas em torres maiores aceleraram o crescimento após o bloqueio, enquanto as de torres menores reduziram a reconstrução, sugerindo que as construções funcionam como um “fenótipo estendido” para regulação das condições internas.
As pesquisadoras também investigaram a proteção contra predadores. Iscas colocadas no topo das torres tiveram probabilidade oito vezes menor de atrair formigas do que as instaladas no solo. O estudo comprova que as torres reduzem o risco de ataque durante a metamorfose, quando a ninfa emerge do solo e permanece exposta até se transformar em adulta.
