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O mistério dos antidepressivos que a ciência tenta desvendar

Ilustração sobre conexões cerebrais e neuroplasticidade
Ilustração sobre cérebro e pílulas.. Foto: Reprodução

Antidepressivos podem aliviar sintomas de depressão, ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo, mas a ciência ainda não chegou a uma explicação conclusiva sobre como eles atuam no cérebro. Pesquisas acumuladas desde o início dos anos 2000 afastam a hipótese popular de que esses medicamentos simplesmente corrigem uma deficiência química.

Remédios como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina elevam os níveis de neurotransmissores, mas seus possíveis benefícios parecem envolver uma sequência mais ampla de mudanças nas células nervosas, nos circuitos cerebrais e no processamento emocional. Estudos da Universidade de Oxford indicaram que pacientes podem passar a interpretar informações negativas de modo menos intenso poucos dias após o início do tratamento.

Outra hipótese relevante envolve a neuroplasticidade, capacidade de o cérebro reorganizar conexões e aprender com experiências. O apoio social, a psicoterapia, a relação com profissionais de saúde e a expectativa de melhora também influenciam os resultados. Os medicamentos podem causar embotamento emocional em parte dos pacientes, efeito relatado por quase metade dos mais de 700 participantes de uma pesquisa sobre o tema.