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A cidade mais violenta da Europa que mudou de estratégia e viu os homicídios despencarem

Área urbana de Glasgow, na Escócia
Policial em área urbana. Foto: Reprodução

Glasgow, maior cidade da Escócia, chegou ao início dos anos 2000 com uma das piores crises de violência da Europa. Entre 2003 e 2005, a cidade teve a maior taxa de homicídios do continente, enquanto a ONU apontava a Escócia como o país mais violento do mundo desenvolvido. Em 24 de outubro de 2008, uma iniciativa incomum reuniu 85 integrantes de gangues rivais no Tribunal do Xerife de Glasgow para ouvir relatos de mães, médicos e vítimas sobre ataques com faca, tiros e deformações permanentes.

A ação, organizada pela Unidade Escocesa de Redução da Violência, ofereceu aos jovens um número de telefone para quem quisesse deixar a violência. Depois de dez encontros semelhantes, 473 jovens participaram e quase 400 entraram em contato. A estratégia fazia parte de uma mudança mais ampla: o país deixou de tratar a violência apenas como caso de polícia e passou a encará-la como questão de saúde pública, com análise de dados, identificação de fatores de risco e intervenções antes que os crimes acontecessem.

Na década seguinte, a taxa de homicídios caiu 56% em Glasgow e 38% no restante da Escócia. Entre 2006 e 2015, os crimes violentos diminuíram quase um terço no país. A abordagem envolveu escolas, hospitais, serviços sociais e comunidades, com programas de apoio a jovens, treinamento de dentistas para identificar lesões provocadas por violência e redução das expulsões escolares. A Escócia ainda enfrenta desafios, como pobreza infantil, efeitos da pandemia e impacto das redes sociais, mas Jimmy Paul, diretor da unidade desde 2023, resume a base da política: “A violência pode ser evitada. Ela não é inevitável”.