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Tirar a roupa não é consentir: entenda os limites de uma consulta ginecológica

Ilustração sobre consulta ginecológica
Imagem ilustrativa

Consultas e exames ginecológicos devem respeitar a privacidade, a autonomia e o consentimento da paciente em cada etapa. Especialistas afirmam que o médico precisa explicar qual procedimento fará, por que ele é necessário, quais regiões do corpo serão examinadas e quais sensações podem ocorrer. A paciente também deve ter privacidade para trocar de roupa, receber cobertura adequada e ficar exposta apenas na área examinada.

Nem toda consulta exige exame físico, toque vaginal, avaliação das mamas ou coleta do Papanicolau. A indicação depende da idade, da queixa, do histórico clínico, dos fatores de risco e do objetivo do atendimento. A ginecologista Luiza Sprung, da PUC-PR, ressalta que marcar a consulta, tirar a roupa ou se posicionar na maca não representa autorização automática para todos os procedimentos. O consentimento precisa ser renovado quando houver mudança relevante no exame.

Iniciar procedimentos sem explicação, realizar toques íntimos sem autorização, insistir diante de dor ou pedido de interrupção, manter a paciente despida sem necessidade e fazer comentários de cunho sexual são sinais de alerta. A legislação garante acompanhante maior de idade escolhido pela paciente em consultas, exames e procedimentos. Em caso de suspeita de abuso, a orientação é interromper o atendimento quando houver segurança, guardar documentos e registros, procurar um serviço de saúde e acionar a polícia pelo 190 em situações de risco. Denúncias também podem ser feitas ao CRM, à clínica ou hospital e pelo Ligue 180.