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Como o Brasil popularizou o transplante capilar e virou referência no procedimento

Homem após cirurgia de transplante capilar. Foto: reprodução

Os transplantes capilares registraram crescimento de 250% no mundo entre 2010 e 2021, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar. Só em 2023, quase 4 milhões de procedimentos foram realizados globalmente. O Brasil se tornou referência na área, com a popularização da técnica FUE, que não deixa cicatriz, e a queda nos preços, invertendo o fluxo de pacientes que antes viajavam para a Turquia.

O aumento da procura foi impulsionado por famosos que compartilharam seus procedimentos nas redes sociais. O ator Malvino Salvador, que se tornou sócio de uma clínica, explica: “Decidi postar justamente para desestigmatizar. O homem precisa se sentir bem consigo mesmo, e a falta de cabelo é um dos fatores que mais afetam a autoestima”. Sua clínica projetou faturamento de R$ 190 milhões para 2025.

A técnica evoluiu significativamente, substituindo o método FUT, que deixava cicatriz, pelo FUE. “Estudamos muito o visagismo para deixar o transplante delicado. O desenho do cabelo precisa ficar bonito e combinar com a fisionomia do paciente”, explica a dermatologista Maira Merlotto. Seu consultório registrou aumento de 40% na procura desde 2022.

A popularização trouxe preocupações com a qualidade. Médicos alertam que o “método Turquia”, onde técnicos realizam procedimentos sob supervisão médica mínima, tem se espalhado pelo Brasil. “Faço todo o transplante, sem delegar etapas nem atender mais de um paciente por dia”, diz o ex-presidente da ISHRS, Arthur Tykocinski, destacando a importância da supervisão médica adequada.