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Como o Japão mantém ruas limpas mesmo com poucas lixeiras públicas

Tóquio Japão
Pilha de lixo nas ruas de Tóquio, no Japão. Foto: Divulgação/Reuters

Encontrar uma lixeira nas ruas de Tóquio pode exigir uma longa caminhada, mesmo em áreas conhecidas pela limpeza. A explicação reúne medidas de segurança, custos de manutenção e o hábito de guardar resíduos até encontrar um local adequado para descartá-los. Segundo reportagem da BBC News Brasil, a retirada de recipientes ganhou força após o atentado com gás sarin no metrô da capital japonesa, em março de 1995. Autoridades fecharam ou removeram lixeiras como medida preventiva.

A segurança, porém, não explica sozinha a escassez. Aya Yoshida, do Instituto Nacional de Estudos Ambientais do Japão, afirma que municípios também reduziram o número de recipientes para conter gastos e incentivar os moradores a levar o lixo para casa. Em Kyoto, o descarte de resíduos domésticos nas lixeiras públicas e o acúmulo de sujeira ao redor elevaram os custos de manutenção. A pesquisadora ressalta que a limpeza resulta de décadas de investimento em educação, campanhas contra o descarte irregular e serviços de limpeza urbana, além de normas de convivência que valorizam não causar incômodo aos outros.

Para os turistas, que passam o dia circulando com bebidas e lanches, isso frequentemente significa carregar embalagens na bolsa até encontrar onde descartá-las. As lixeiras não desapareceram: estações de trem ainda oferecem recipientes, inclusive transparentes, próximos às catracas e sob monitoramento. O governo de Tóquio também mantém a campanha Keep Tokyo Clean, com ações de recolhimento de resíduos e mobilização da população em diferentes pontos da cidade.