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Como os novos números de câncer revelam a desigualdade no Brasil

Laço roxo simboliza a luta contra o câncer. Foto: reprodução

O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo nova estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O levantamento revela um país desigual: enquanto o Sul e Sudeste enfrentam tumores associados ao envelhecimento e estilo de vida urbano, o Norte e Nordeste ainda lidam com cânceres amplamente preveníveis, como o de colo do útero.

“Quase todos os tumores chamam atenção pelas taxas de incidência, com diferenças relevantes entre as regiões”, afirma o oncologista Stephen Stefani. O câncer de mama, por exemplo, tem cerca de 33 casos por 100 mil mulheres no Norte, contra 88 no Sudeste. O câncer colorretal também preocupa pelo crescimento e mortalidade elevada, refletindo a falta de um programa nacional de rastreamento.

O câncer do colo do útero, que pode ser prevenido com vacina contra o HPV, segue como um alerta grave, com quase 20 mil novos casos e mais de 7 mil mortes anuais. “É um número assustador”, diz o oncologista Gilberto Amorim. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas regionalizadas para combater as desigualdades no acesso à prevenção e diagnóstico.