Computador quântico: Google recria o impossível e simula matéria que não existe no mundo real

Um estudo publicado na revista “Nature” nesta quarta-feira (5) apresenta uma simulação inédita de um estado da matéria ainda não observado na prática. A pesquisa foi conduzida pelo Google em parceria com as universidades de Munique, na Alemanha, e Princeton, nos Estados Unidos, e utilizou os processadores quânticos Sycamore e Willow. O experimento aplicou condições em regime Floquet, forçando átomos a se organizarem de modo diferente do que ocorre em materiais sólidos ou líquidos na busca por equilíbrio.
A simulação envolveu até 58 qubits, unidades usadas para armazenar e processar informações na computação quântica. Diferente dos bits tradicionais, que operam apenas em 0 ou 1, os qubits podem expressar ambos simultaneamente por superposição.
O trabalho se destaca por manipular átomos altamente emaranhados, condição considerada difícil de reproduzir em computadores convencionais. Pesquisas anteriores já haviam explorado estados inexistentes da matéria, incluindo estudos conduzidos por Harvard, MIT e Cornell.
A pesquisadora Melissa Will, primeira autora do estudo, afirmou que fases de não equilíbrio entrelaçadas são complexas para simulação clássica. Na comunidade científica, o trabalho ganhou credibilidade pela abordagem baseada em simulação em vez de criação física da matéria, diferentemente de um estudo divulgado pela Microsoft em fevereiro deste ano. Segundo a pesquisadora Bárbara Amaral, do Instituto de Física da USP, o novo artigo se diferencia justamente por observar o comportamento virtual, sem afirmar que o estado foi produzido experimentalmente.
