Concorrente acusa Ultrafarma de sonegar 60% das vendas

Em delação premiada ao Ministério Público de São Paulo, Manoel Conde Neto, ex-dono da rede Farma Conde, afirmou que a concorrente Ultrafarma sonegava até 60% de suas vendas. As declarações foram reveladas pelo programa Fantástico. “Estava na cara que a sonegação lá era e é até hoje muito grande”, disse Conde, destacando que os preços praticados pela concorrente eram “inexplicáveis”.
A delação faz parte de um acordo firmado em 2017, quando a Farma Conde devolveu mais de R$ 300 milhões em sonegação. O caso também levou o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, a fechar um acordo com a Justiça em junho, comprometendo-se a pagar R$ 32 milhões. Oliveira foi preso na semana passada por envolvimento em outro esquema de corrupção liderado pelo auditor Artur Gomes da Silva Neto, da Sefaz-SP.
O MP-SP aponta que Artur era o “cérebro” de um esquema bilionário de propinas e créditos irregulares de ICMS. Empresas como Ultrafarma e Fast Shop contratavam a Smart Tax, empresa de fachada comandada pelo fiscal, para facilitar o ressarcimento do imposto. “Só a mãe do fiscal, que não tinha formação técnica, era funcionária”, afirmou o promotor João Ricupero.
Seis pessoas foram presas na última terça-feira, incluindo Oliveira e Artur. Executivos foram soltos após pagarem fiança de R$ 25 milhões cada, enquanto outros continuam presos.