Congonhas amplia uso de aviões com menos barulho, mas reclamações aumentam

O Aeroporto de Congonhas ampliou a participação de aeronaves consideradas menos ruidosas, como Airbus A320neo, Boeing 737 Max e Embraer E2, de 22% em 2024 para 32% no primeiro semestre de 2026. A Aena, concessionária do terminal na zona sul de São Paulo, espera chegar a 36% até dezembro, mas os níveis de ruído nos pontos de monitoramento de Jabaquara, Moema e Itaim Bibi continuam semelhantes aos de quatro anos atrás.
Moradores de bairros que passaram a integrar ou ficaram mais próximos das rotas de voo relatam prejuízos ao sono e à concentração. As reclamações sobre barulho saltaram de 13 nos últimos cinco meses de 2021, antes das mudanças nas rotas, para 160 entre janeiro e maio de 2026. “Esse barulho não existia. Quando me mudei, há sete anos, os aviões não passavam por cima do bairro. Ficou ensurdecedor”, afirmou a analista de sistemas Berenice Pacheco, da Vila Nova Conceição.
Congonhas registra 578 pousos e decolagens por dia, com uma movimentação de aeronave a cada dois minutos, em média. A Aena oferece descontos de tarifas às empresas que empregam aviões mais silenciosos e usam procedimentos de decolagem para reduzir ruídos. Associações de moradores, porém, pedem a ampliação desse procedimento, que prevê maior altitude antes de curvas sobre áreas residenciais, e contestam planos de flexibilizar o horário de voos em situações excepcionais.
