Coronel do Ministério da Saúde disse que cloroquina dava certo contra covid e criticou “cobaias” da vacina

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As novas autoridades apostavam na hidroxicloroquina para mitigar a pandemia no Brasil, revelaram meses de conversas internas do ministério no WhatsApp vistas pela Reuters. As vacinas eram mencionadas com pouca frequência e, às vezes, com ceticismo.
Em 12 de junho, por exemplo, poucos dias após ser nomeado secretário-executivo da Saúde, Elcio Franco, coronel da reserva do Exército, alertou os colegas para um artigo de revista mostrando o alto executivo brasileiro da AstraZeneca discutindo a vacina da empresa. Franco expressou surpresa que alguém pudesse se voluntariar para participar de um ensaio da vacina. “Quem será cobaia?”, escreveu Franco aos colegas.
Franco, no entanto, expressou confiança na hidroxicloroquina e na cloroquina.
Em junho, as mortes diárias por Covid-19 estavam atingindo os níveis mais altos no Brasil, segundo dados oficiais. Franco afirmava o oposto. “Os índices de letalidade estão caindo drasticamente com o protocolo do remédio do Bolsonaro”, postou ele para o grupo interno do WhatsApp em 15 de junho. “A cloroquina está revertendo a situação.”
Franco não respondeu aos pedidos de comentários por meio do Ministério da Saúde ou de sua conta no LinkedIn. O Brasil está lidando agora com outro surto de infecções que está deixando hospitais à beira do colapso em várias cidades.
O Ministério da Saúde dobrou a aposta nos medicamentos contra malária. A pasta exortou publicamente as pessoas infectadas a tomá-los logo após o início dos sintomas e, neste mês, enviou 120 mil comprimidos de hidroxicloroquina para o Estado do Amazonas.
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