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Corrente usada em escravidão é achada dentro de árvore centenária em MG

Paineira centenária em cafezal de Cabo Verde (MG) apita com o detector de metal. Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

Pesquisadores identificaram uma possível corrente de escravidão dentro de uma árvore centenária em Cabo Verde, Minas Gerais. A descoberta ocorreu na borda de um antigo cafezal, após relatos de que a paineira de três metros de diâmetro teria sido usada para prender pessoas escravizadas.

O estudo envolveu o uso de um detector de metais, que apitou em um ponto do tronco, indicando a presença de ferro fundido. A árvore pertence à família de Daniel Paiva Batista desde 1930, e a história foi passada oralmente por várias gerações da cidade de 11,4 mil habitantes.

Segundo registros familiares, a paineira era ponto de punição e venda de escravizados considerados “folgados”. Conforme o tronco cresceu, a corrente teria ficado presa dentro da árvore, criando uma ligação entre a natureza e a memória histórica da região.

O historiador Luís Eduardo Oliveira e a cientista social Lidia Maria Reis Torres confirmam que o artefato é um vestígio do período escravocrata local. Para eles, manter a corrente dentro da árvore preserva seu valor simbólico como espaço de memória, representando a resistência da história oral frente ao apagamento documental da escravidão em Cabo Verde.