Cortar todo o açúcar da dieta pode prejudicar a saúde; entenda

Eliminar completamente o açúcar da alimentação pode não trazer apenas benefícios, segundo uma pesquisa recente feita com roedores. O estudo acompanhou uma amostra pequena, de seis camundongos por grupo, e por isso não permite aplicar automaticamente os resultados a humanos. Ainda assim, os dados levantam um alerta sobre dietas extremas que retiram uma classe inteira de nutrientes.
No experimento, os camundongos submetidos a uma dieta rigorosa sem açúcar não ganharam peso e, à primeira vista, pareciam saudáveis. Mas os indicadores metabólicos pioraram: os hormônios sugeriram estresse no intestino e os animais perderam capacidade de retirar glicose do sangue. A pesquisa indica que uma pessoa pode manter o peso e, mesmo assim, enfrentar desequilíbrios metabólicos se o ecossistema intestinal perder diversidade.
Os pesquisadores relacionam esse efeito ao papel das bactérias benéficas do trato digestivo. Algumas delas dependem de açúcares simples e carboidratos para produzir substâncias que ajudam a manter a mucosa intestinal, favorecem a absorção de nutrientes e participam da regulação do apetite e da resposta à insulina. Quando esses microrganismos ficam sem combustível, bactérias nocivas podem ocupar espaço e contribuir para um quadro conhecido como “intestino permeável”.
O estudo não defende o consumo de açúcar de alimentos processados nem contraria a recomendação de reduzir açúcares adicionados, especialmente em dietas ricas em gordura e calorias. A orientação mais prudente é evitar extremos: manter variedade de frutas, vegetais e grãos, que oferecem açúcares naturais e fibras, e incluir alimentos fermentados, como kefir, chucrute ou iogurte natural, para favorecer bactérias intestinais benéficas.
