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“A cota é um elemento forte de justiça”, diz ex-ministro Renato Janine

Do UOL:

Implementadas na educação brasileira há mais de 10 anos, as cotas sociais e étnico-raciais foram aprovadas neste ano por duas das instituições mais respeitadas do país. Em julho, após anos de pressão do Movimento Negro, o Conselho Universitário da USP aprovou a instituição de cotas de forma escalonada, fazendo com que, no ano de 2021, 50% das vagas sejam reservadas aos cotistas. Pouco antes, em março, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) implantou um sistema semelhante, que valerá aos vestibulandos a partir do ano de 2019.

Na avaliação do filósofo e ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, “a cota é um elemento forte de justiça”.

Para o professor aposentado de Ética e Filosofia da USP, estabelecer cotas para camadas mais pobres da sociedade corrige um erro histórico do Brasil.

“A sociedade brasileira foi construída para promover a desigualdade. Desde a chegada dos portugueses, a colonização dos índios e, posteriormente, dos negros. Essa ideologia é tão forte dentro das pessoas que acaba não sendo passível de convertê-las para o lado racional. O pensamento é tão rigoroso que você não consegue explicar à pessoa que os filhos dela não perderão vagas nas universidades pela adoção de cotas”, diz Janine.

Ele observa que a verdadeira meritocracia deve igualar não só o ponto de chegada, mas também o ponto de partida. “Esse é o problema do Brasil: se confunde o verdadeiro mérito com o falso mérito. Se os cotistas hoje contam com uma nota de corte menor em um vestibular, é porque eles precisaram de mais garra e mais mérito que os não cotistas para alcançar um resultado. As pessoas têm de levar em consideração que estão lidando com alunos que foram tratados de forma desigual pela sociedade”.