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“Covardia”: motoristas da Uber se endividam e ficam revoltados com carros excluídos

Aplicativo da Uber em carro de motorista. Foto: Reprodução

Motoristas da Uber estão revoltados com as novas regras da plataforma, que passam a valer em janeiro de 2026 e excluem modelos recém-lançados das categorias Comfort e Black. A lista inclui veículos como Renault Kardian, Citroën Basalt e Caoa Chery Tiggo 3X, justamente carros comprados por muitos profissionais que buscavam melhorar o padrão de serviço e aumentar a renda.

Agora, endividados, eles afirmam ter sido pegos de surpresa e se dizem “enganados” pela empresa. Douglas Silva, motorista no Rio de Janeiro, por exemplo, comprou um Citroën Basalt zero quilômetro em junho, acreditando que o modelo seria aceito no Uber Black. Ele investiu R$ 30 mil de entrada, pagou três parcelas e agora precisa pagar mais 45.

Outro motorista, Jonas Silva, esperou três meses para receber o carro e financiou em 60 vezes, também pensando em trabalhar na categoria. “Não fazia ideia de que isso iria acontecer. É um carro novo, espaçoso e confortável. Agora, não faz sentido rodar em Comfort, as tarifas estão péssimas”, afirmou ao UOL. Já Eduardo Guimarães, que comprou o mesmo modelo por R$ 117 mil, classificou a decisão como “covardia”.

A Uber justificou que as mudanças foram baseadas em pesquisas com usuários e na evolução do mercado automotivo, alegando que os veículos foram definidos segundo critérios de conforto e preferência dos passageiros. Para os motoristas, no entanto, o discurso não justifica os prejuízos. “A gente segue as regras, compra o carro certo e depois eles mudam tudo de uma hora pra outra”, reclama Jonas.