Crise empurrou 3 milhões de latino-americanos para pobreza
Os dois primeiros anos (2008 e 2009) da crise econômica que ainda hoje afeta o mundo fez com que três milhões de latino-americanos, em sua maioria mexicanos, fossem empurrados para a pobreza ou não conseguissem sair dela, segundo um estudo do Banco Mundial que será publicado em junho de 2014.
A diretora do Grupo de Economia Desenvolvimento Humano na América Latina e no Caribe do Banco Mundial, Margaret Grosh, uma das autoras do estudo, disse à Agência Efe que, deste total, 2,5 milhões são mexicanos.
A maior parte dos 3 milhões de latino-americanos que caíram para abaixo da linha da pobreza, segundo o estudo “Compreendendo a Pobreza: Impacto da Crise Financeira Global na América Latina e no Caribe”, deve essa queda à depressão econômica e a diminuição de renda.
Fora isso, um grande número que “teria saído da pobreza porque seus países estavam crescendo antes (de 2008)” não ultrapassou a linha pois a crise não os permitiu, afirmou Margaret.
“É importante considerar isso porque quando apareceram os primeiros números de pobreza a tendência foi pensar “ah, a situação não é tão ruim”, mas muitos poderiam ter abandonado a pobreza, e a oportunidade se perdeu”, disse.
Em sua opinião, o grande número de afetados no México se deve ao fato de o país ser “grande, especialmente se comparado aos pequenos países da América Latina”.
O relatório, baseado em pesquisas dos países latino-americanos e do Caribe, mostra uma preocupação especial por um dos setores mais sensíveis nas sociedades latino-americanas, os trabalhadores irregulares, sempre mais afetados em situações de crise.
O efeito sobre a pobreza na região foi especialmente sensível, na opinião de Margaret, porque a região “é particularmente desigual, por isso existe uma preocupação especial com a pobreza e a distribuição de renda, porque as famílias mais pobres simplesmente não podem se permitir uma queda de sua renda”.
Os problemas na região foram consequência em grande parte “dos modelos de comércio e dos parceiros comerciais” da América Latina.
Este segundo ponto afetou especialmente o México, já que grande parte dos parceiros comerciais do país são dos Estados Unidos, onde a crise teve um impacto direto.
“A questão agora é quanto os governos vão investir em políticas de proteção social para prevenir a pobreza. Isso será um desafio maior nos próximos cinco anos do que nos dez anteriores”, concluiu Margaret.
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