Cristina Kirchner levou chapa ao triunfo na Argentina afastando-se da linha de frente

Publicado em 13 agosto, 2019 1:35 pm

Da Folha

Cristina Kirchner

“Os peronistas são como os gatos: quando gritamos acham que estamos nos destroçando, mas na verdade estamos nos reproduzindo”, disse Juan Domingo Perón certa vez. Embora já citada à exaustão, sobretudo quando o partido se aproxima da insignificância, a frase resume com eficácia o que aconteceu no domingo.

O peronismo se uniu, uma vez mais, apesar da gritaria dos últimos meses. E demonstrou que ainda pode ser uma máquina de guerra eleitoral muito poderosa. Seu candidato, Alberto Fernández, abriu mais de 15 pontos de vantagem sobre Mauricio Macri nas eleições primárias. O resultado o pôs a um passo da Casa Rosada no pleito geral de outubro.

O peronismo deve muito de sua unidade a Cristina Fernández de Kirchner. A ex-presidenta entendeu que ela representava o fator que frustrava o entendimento e, quando ninguém esperava, afastou-se da linha de frente. Em maio, indicou Alberto Fernández como cabeça de uma chapa em que seria a vice. A decisão, agora que se conhece o resultado, não poderia ser mais eficaz. Fernández foi chefe de Gabinete de Néstor Kirchner e saiu do cargo batendo a porta após o primeiro ano de governo de Cristina. Na planície, foi um feroz crítico da ex-presidenta, a quem acusou de corrupta, ineficiente e com delírios de grandeza. Parecia não haver volta, mas houve.

O peronismo estava na época divido em duas grandes correntes: a kirchnerista, com Cristina como líder indiscutível, e a Alternativa Federal, onde se agrupavam os governadores e as forças políticas do ex-chefe de Gabinete Sergio Massa e o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna. Como moderador do grupo estava o chefe do peronismo no Senado, Miguel Ángel Pichetto. Quando Cristina Kirchner apeou da disputa presidencial, deu-se o milagre. A Alternativa Federal se despedaçou, e a maior parte de seus dirigentes se aglomerou ao redor de Alberto Fernández.

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