A culpa e a vergonha podem ser mais importantes do que você imagina; entenda

Culpa e vergonha estão entre as emoções humanas mais dolorosas, mas não representam apenas sofrimento. O psicólogo social Daniel Sznycer, professor assistente da Universidade de Montreal, afirma que elas podem estar associadas à depressão, à ansiedade e à paranoia, mas também ajudam a orientar mudanças de comportamento. “Quando agimos de uma forma da qual não nos orgulhamos, o cérebro emite um sinal que nos leva a mudar nosso comportamento.” Com informações de BrainFacts.
Segundo a interpretação evolutiva apresentada por Sznycer, culpa e vergonha ajudaram os seres humanos a evitar danos às pessoas próximas e a preservar vínculos essenciais para a sobrevivência. Em sociedades de caçadores-coletores, depender do grupo era decisivo diante de doenças, predadores e da escassez de alimentos. A culpa costuma surgir quando uma ação entra em conflito com a própria consciência e pode estimular a reparação do dano. Já a vergonha está relacionada ao risco de desvalorização social e ao medo de que outras pessoas descubram uma falha, o que também pode levar a mentiras ou à ocultação de provas.
Estudos com ressonância magnética funcional indicam que culpa e vergonha compartilham redes nas regiões frontal e temporal do cérebro, mas seguem padrões distintos de ativação. Pesquisadores da Ludwig-Maximilians-Universität, em Munique, observaram maior atividade no hemisfério direito durante a vergonha, sem ativação da amígdala. No caso da culpa, houve ativação da amígdala e dos lobos frontais, com menor atividade nos dois hemisférios. A intensidade da vergonha costuma acompanhar a percepção de desvalorização pelos outros, enquanto a culpa está mais ligada ao sistema interno de valores. Pessoas com determinadas condições psiquiátricas, como a psicopatia, podem não experimentar essas emoções da mesma forma.
