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Da expansão ao colapso: o que levou a Tok&Stok à fusão com a Mobly

A loja da Tok&Stok. Foto: Divulgação

A trajetória recente da Tok&Stok ilustra os riscos da sucessão e do crescimento acelerado em empresas familiares no Brasil. Fundada em 1978 por Régis Dubrule e Ghislaine Dubrule, a rede entrou em rota de colisão quando a gestão profissionalizada e os herdeiros divergiram sobre expansão e endividamento, abrindo um ciclo de disputas internas.

Em 2012, a entrada do fundo Carlyle, que adquiriu 60% da companhia, intensificou os atritos. A convivência entre a visão curatorial dos fundadores e a lógica de retorno rápido do capital estrangeiro se mostrou difícil. O afastamento da família da gestão e a crise financeira de 2023, com atrasos de aluguel e fechamento de lojas, evidenciaram falhas de governança.

Para evitar o colapso, a Mobly aprovou a fusão com a Tok&Stok, encerrando o controle exclusivo dos Dubrule e apostando em escala digital. Especialistas apontam a ausência de um acordo de acionistas robusto e a dificuldade de separar o “sentimento de fundadores” do saneamento financeiro como lições centrais do caso.