DCM apontou em 2014 o elo entre o futebol profissional e o tráfico de drogas revelado agora em Vitória

O elo entre o Helicoca e os traficantes que exportavam cocaína para a Europa, através do porto de Vitória, é o empresário Elio Rodrigues. Ele tinha comprado a fazenda onde pousou o helicóptero da família do senador Zezé Perrella, com 445 quilos de cocaína, em novembro de 2013.
Elio, preso agora, foi o quinto indiciado no caso Helicoca. Mais tarde, foi retirado do processo, por falta de provas. Ainda não houve julgamento do caso, quatro anos depois.
Os demais indiciados e, posteriormente, denunciados são os dois pilotos, empresário Robson Ferreira Dias, de Araruama, Rio de Janeiro, e um jardineiro, que ajudou a descarregar a droga do helicóptero.
Élio tem também uma empresa em Itapemirim, a Arte Rochas, que trabalha com mármore, um tipo de matéria prima usada para esconder cocaína em outros casos descobertos no Espírito Santo.
No inquérito do Helicoca, Élio prestou depoimento duas vezes na Polícia Federal. Na primeira, negou elo com o carioca Robson. Mas ele surgiu através da descoberta de que, em 2013, os dois se associaram num negócio de futebol profissional.
Élio e Robson levaram do Rio de Janeiro para Vitória um jogador de futebol de nome David. O atleta ficou hospedado numa quitinete de Élio, enquanto treinava no Desportiva, um dos principais times de futebol profissional do Espírito Santo.
Nas conversas com outros membros da quadrilha, Robson, que tem 56 anos, usa o codinome Vovô. Ele se reporta a dois homens que parecem superiores na hierarquia, Giga e Frajola, de quem recebe ordens.
Se a PF descobrir os nomes por trás desses apelidos, estará solucionado o mistério do Helicoca, que vai muito além de qualquer acrobacia de Alexandre.
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PS: na negociação para a transferência do jogador, houve o auxílio de um juiz de direito de Vitória que, procurador por mim, disse que atuou como torcedor fanático do clube, não como magistrado. Como juiz, ele apenas teria endossado a transação de maneira informal, para garantir que não haveria calote na transferência. Continuo apurando a história e tão logo haja elementos concretos da participação do juiz em irregularidades, publicarei reportagem.
(Joaquim de Carvalho)
