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De onde vem a teoria econômica do Papa?

Daria algumas manchetes bastante surpreendentes se o Papa Francisco se revelasse marxista. Entre as suas pistas de reabilitação da teologia da libertação – condenada pelos seus antecessores – e seus discursos sobre recusar “as estruturas econômicas e sociais que nos escravizam”, o marxismo não está totalmente fora de questão.

Mas, felizmente para os nervosos líderes da Igreja, a primeira Exortação Apostólica de Francisco, divulgada nessa terça-feira, não chega a sugerir um homem que receberia Marx como resposta em um quiz online do estilo “Qual teórico econômico você é?”

Com quem ele plausivelmente poderia ser equiparado? Com um economista político favorito dos acadêmicos antilivre mercado: Karl Polanyi.

Karl Polanyi é mais famoso pelo seu livro A grande transformação e particularmente por uma ideia nesse livro: a distinção entre uma “economia que está incorporada nas relações sociais” e “relações sociais que estão incorporadas no sistema econômico”.

A grande ideia de Polanyi: a economia deve servir à sociedade, e não o contrário.

A atividade econômica, diz Polanyi, começou simplesmente como um dos muitos resultados da atividade humana. E, portanto, a economia servia originalmente às necessidades humanas.

Mas com o tempo as pessoas tiveram a ideia de que os mercados se regulamentariam se as leis e as regulações abrissem caminho.

A “economia de mercado” transformou a sociedade humana em uma “sociedade de mercado”.

Então, qual é a saída? Na época em que o livro de Polanyi foi publicado, na década de 1940, ele estava apostando que a resposta era a social-democracia, desde que os governos trabalhassem juntos internacionalmente.

Isso se aproxima muito daquilo que o papa também exorta. Ele não acha que isso possa ser resolvido com a caridade pessoal.

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