Desigualdade faz brasileiros envelhecerem dez anos antes que europeus; entenda

O declínio funcional ligado ao envelhecimento começa, em média, cerca de dez anos antes no Brasil do que na Europa, aponta um estudo com mais de 30 mil pessoas a partir dos 50 anos. Entre brasileiros, o risco de precisar de ajuda para atividades cotidianas aumentou entre 60 e 69 anos; entre europeus, a elevação significativa surgiu apenas na faixa dos 70 aos 79 anos.
A análise reuniu dados de 4.825 participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros e de 25.978 pessoas da base europeia SHARE. Os pesquisadores avaliaram tarefas básicas, como tomar banho, vestir-se e caminhar, e atividades necessárias à vida independente, como cozinhar, usar transporte, administrar dinheiro e tomar medicamentos.
O estudo relaciona a antecipação da perda de autonomia no Brasil às desigualdades socioeconômicas acumuladas ao longo da vida. Maior escolaridade teve efeito protetor, enquanto múltiplas doenças crônicas e uma avaliação negativa da própria saúde elevaram o risco de limitações, com impacto mais forte entre brasileiros. Os autores defendem rastreamento precoce, ações de mobilidade e fortalecimento muscular, além de políticas que ampliem o acesso à educação, à saúde e ao tratamento de doenças crônicas.
