Delegado que faz delação de Marcos Valério acusa polícia de proteger políticos e membros do Judiciário
O delegado da Polícia Civil, Rodrigo Bossi, um dos responsáveis pelo acordo de delação do publicitário Marcos Valério, concedeu entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia após ouvir o operador do mensalão. Segundo o delegado, a investigação que ele conduz revela a existência do maior esquema de fraude processual do Brasil, que envolve a atuação de policiais civis na desqualificação de documentos importantes que denunciam políticos e até membros do judiciário.
Dentre as peças que tiveram a autenticidade questionada, mas que segundo ele podem ser documentos verdadeiros, está a famosa lista de furnas. Um dos alvos da investigação conduzida pelo delegado é um documento chamado “lista do Marcos Valério”, até então nunca divulgada.
Rodrigo Bossi chegou ao publicitário e acabou sendo um dos negociadores da delação a partir de um desdobramento da Operação Lava Jato, que cita a Cemig. A investigação provocou constrangimento entre integrantes da Polícia Civil, já que o delegado Márcio Nabak é acusado de desqualificar denúncias de Nilton Monteiro, um dos delatores do mensalão.
Por outro lado, Rodrigo Bossi tem sido acusado de fazer uso político da investigação contra tucanos que governavam o Estado na época das polêmicas e que também seriam alvos das denúncias.
Resposta
Procurado pela reportagem da Itatiaia, o delegado Márcio Nabak disse que todos os fatos citados pelo delegado Rodrigo Bossi estão sendo investigados pela corregedoria. Ressaltou ainda que tudo apurado entre 2011 e 2014 foi devidamente encaminhado à justiça e Nilton Monteiro foi condenado. Nabak acha pouco provável que a justiça fosse se enganar.
Ainda conforme Nabak, cabe a Bossi provar que os dados foram forjados e explicar porque ele investiga desembargadores e promotores, o que não é competência legal dele.
