Demitido, Augusto Nunes foi já definido por ex-patrão como “sem caráter, amoral, manipulador de notícias”

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A Jovem Pan demitiu o jornalista Augusto Nunes. Os motivos não foram divulgados, devido a “cláusulas de confidencialidade” do contrato.
Na rádio desde 2016 e recentemente com participação também na TV do grupo, Nunes já estava afastado por descumprir determinações do TSE relativas à forma de tratamento dispensado pelos programas da casa ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
O grupo de comunicação comandado por Antonio Augusto de Amaral Filho, conhecido como Tutinha, emitiu um comunicado noticiando o fim da “parceria”:
“Em comum acordo, O Grupo Jovem Pan e o jornalista Augusto Nunes entenderam por bem pôr fim à parceria de trabalho que estava vigente há mais de cinco anos, através da empresa do Augusto, Lauda Comunicação Ltda, sem qualquer animosidade ou juízo de valor.
Os termos e detalhes do deslinde não serão objetos de comentários por conta de o contrato de origem estar acobertado e protegido por cláusula de sigilo e confidencialidade.
O Grupo Jovem Pan agradece o jornalista Augusto Nunes e deseja sucesso nas novas fronteiras que ele haverá de desbravar.”
Dentre as empresas tradicionais de mídia, a Jovem Pan foi a que adotou a linha mais agressiva do bolsonarismo, o que a levou a ter que conceder diversos direitos de resposta à campanha petista, bem como a determinação de que se abstivesse de veicular declarações de comentaristas da emissora já julgadas sabidamente inverídicas, distorcidas ou ofensivas.
Outros dois bolsonaristas foram dispensados no mesmo dia: Caio Coppola e Guilherme Fiúza.
O histórico da Augusto Nunes na rádio tem episódios que vão além de sua agressividade verbal contra a esquerda. Em 2019, durante o programa Pânico em que estava presente o também jornalista Glenn Greenwald, na época integrante do Intercept Brasil, houve uma discussão em que ambos chegaram às vias de fato.
Não obstante as cenas de lupanar de beira de estrada, Augusto Nunes não foi desligado.
A briga ressuscitou o diagnóstico de Ruy Mesquita Filho, um dos herdeiros do Grupo Estado, sobre seu ex-funcionário, que dirigiu o jornal na cobertura da campanha de Fernando Collor em 1989:
“Augusto Nunes não tem caráter, é amoral, manipulador de notícias e nisso eu provo confrontando o noticiário do Jornal da Tarde e do Estado durante a campanha presidencial e Collor.
Ele tentou de todas as formas contratar uma equipe paralela em Brasília para fugir do controle da Agência Estado e com isso fazer todo tipo de maracutaia. Não conseguiu. Falava para todo mundo que iria suceder o Julio Neto no comando do jornal e pôr para fora os filhos do Ruy Mesquita. Não conseguiu.
Fez o possível e o impossível para nos intrigar, sua especialidade. Não conseguiu. Nunca pôs a mão na massa. Não gosta de trabalhar. Só de aparecer. Mais: disse a ele numa reunião com meus primos e meus irmãos, além do Elói Gertel e do Sandro Vaia, que o problema dele não era o que estávamos discutindo naquela hora, mas sim que ele é um desprovido completo de uma coisa que qualquer homem sério tem: caráter. Esse foi o fim do Augusto aqui no Estado”.
