Como ajudar parceiro com depressão sem adoecer junto

A depressão dentro de um relacionamento pode transformar a rotina do casal e sobrecarregar quem tenta ajudar. Stefan e Jessica, nomes trocados para preservar a identidade dos entrevistados, viveram essa mudança após o início da pandemia de covid-19. Ela teve um colapso, desenvolveu fobia social, ficou três anos sem trabalhar e passou por clínicas, terapias e diferentes medicações. “Depois de cerca de três anos, chegamos à conclusão de que as coisas não voltariam a ser como antes”, disse Stefan.
A terapeuta familiar sistêmica Birgit Esch, que atende familiares de pessoas com depressão em Bonn, na Alemanha, afirma que o apoio precisa vir acompanhado de limites. Quando parentes assumem tarefas sem que a pessoa deprimida peça ajuda, podem reforçar a passividade e aumentar sentimentos de culpa e vergonha. “Não há ajuda sem pedido”, orienta Esch. Para ela, estabelecer limites não significa rejeitar o parceiro, mas reduzir o espaço ocupado pela doença na relação.
Separar a pessoa da depressão também ajuda a lidar com irritabilidade, isolamento e distanciamento emocional, segundo a especialista. No caso de Stefan e Jessica, o casal passou a tratar temas sensíveis por mensagem, para evitar conflitos e dar tempo de resposta a ela. Stefan também buscou terapia após desenvolver tiques nervosos e coceira ligada ao estresse. Esch afirma que familiares devem valorizar pequenos avanços, procurar grupos de conversa quando necessário e reconhecer quando a depressão passa a ser usada como justificativa para atitudes que inviabilizam a convivência.
