Deputados de opinião crescem 48% na Alesp, e regiões perdem espaço

A Assembleia Legislativa de São Paulo terá ao menos 31 parlamentares sem um reduto regional definido a partir de 2027, número 48% maior que os 21 da atual legislatura. Conhecidos como “deputados de opinião”, eles constroem campanhas ligadas a causas, segmentos sociais ou posições ideológicas. A mais votada para a Alesp, Eduarda Campopiano (PL) recebeu 1,9 milhão de votos após ganhar projeção nas redes com ataques a temas como aborto, feminismo e cotas raciais. Com informações do Uol.
O grupo reúne nomes de direita e esquerda. Na bancada do PL, o Capitão Mosart, ex-assessor de Jair Bolsonaro, conquistou uma cadeira após transferir seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo. Já o PSOL ampliará sua bancada de cinco para nove deputados, com a eleição de Sofia Favero, que teve mais de 407 mil votos em uma campanha voltada à defesa de pautas da população LGBTIQA+ e das mulheres vítimas de violência.
O avanço desse perfil de candidatura concentrou representantes eleitos no ABC Paulista e nas regiões de São José do Rio Preto, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e Baixada Santista. Marília, Bauru, Araçatuba, cidades do entorno e o Vale do Paraíba ficaram sem representação clara, o que pode afetar a destinação de emendas parlamentares. Para o cientista político Rodrigo Prando, do Mackenzie, redes sociais e algoritmos fortalecem políticos de opinião extremada e reduzem a capacidade de diálogo no Parlamento.
