Desparecido, Queiroz surge e fala a amigo: ‘Serei eternamente grato, entendeu?’

Publicado em 14 abril, 2020 10:08 am
Queiroz e o amigo Bolsonaro

De Daniel Pereira na Veja.

Amigo do presidente Jair Bolsonaro e suspeito de ser laranja do senador Flávio Bolsonaro, o ex-policial militar Fabrício Queiroz passou por uma cirurgia, no mês passado, para a retirada da próstata. Antes de ir para o hospital, ele fez questão de entrar em contato com um amigo para deixá-lo a par da situação. Em mensagem de áudio a que VEJA teve acesso, Queiroz falou de sua saúde, debilitada desde que começou a lutar contra um câncer no intestino, e também dos favores que deve. “Valeu, valeu, meu irmãozão. Obrigado por tudo aí, tá? Gratidão não prescreve, cara, não prescreve mesmo. O que você está fazendo pelas minhas filhas aí, cara, não tem preço. Serei eternamente grato, entendeu?”, diz.

No mesmo áudio, o ex-policial mostra preocupação com o surto de coronavírus em São Paulo, mas acredita que, assim como ele, os brasileiros vão conseguir atravessar esse momento difícil. “Amanhã, estou me submetendo a essa cirurgia grande aí, anestesia geral, entendeu. Esse problema aqui em São Paulo está demais também, de coronavírus. Se Deus quiser, vou sair dessa aí, e todo o povo brasileiro também, né, irmão? A gente se vê. Assim que eu terminar a cirurgia, eu recuperar, eu ligo para você. Forte abraço.” O amigo não foi identificado. VEJA também obteve imagens do ex-policial captadas no dia em que ele se submeteu à cirurgia para a retirada da próstata.

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A gratidão de Queiroz interessa a altas autoridades da República. O ex-policial militar ganhou notoriedade depois de o órgão de inteligência financeira do governo – o antigo Coaf, rebatizado de UIF – detectar que ele movimentou uma dinheirama incompatível com sua remuneração mensal quando trabalhava no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. Entre 2014 e 2015, foram 5,8 milhões de reais. Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, mais 1,2 milhão de reais. O relatório também registrou que Queiroz depositou 24.000 reais na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. A reação inicial do presidente foi admitir que era amigo de Queiroz e dizer que o dinheiro repassado a Michele fazia parte do pagamento de um empréstimo que o próprio Bolsonaro havia concedido ao amigo de longa data. O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga o caso.

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