PF acusa Digimais de inflar balanço com dívida que vem de 1942

A Polícia Federal acusa o Digimais de usar direitos sobre créditos originados em uma disputa que remonta a 1942 para inflar os balanços da instituição em pelo menos R$ 670 milhões. Os créditos envolvem uma indenização cobrada da União por herdeiros de antigos acionistas da Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia, encampada no governo Getúlio Vargas para dar origem à Companhia Vale do Rio Doce, hoje Vale. Com informações de Metrópoles.
A ação começou em 1967, e a sentença transitou em julgado em 1984. Na decisão, a União deveria entregar 7.000 ações da Vale, equivalentes a 3,5% da companhia, além de desdobramentos, bonificações e dividendos acumulados desde 1967. O processo ainda tramita na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro em fase de liquidação, por causa da complexidade dos cálculos e da substituição de beneficiários ao longo das gerações.
Segundo a PF, o Digimais iniciou em 2023 uma estratégia para comprar fatias desses direitos creditórios por valores de mercado e registrá-las por montantes muito maiores nos livros contábeis. Uma parcela de 7,7% do crédito teria custado R$ 9 milhões e depois passou a R$ 100 milhões em outro fundo do grupo. Em outra operação, uma fatia de 9,25% saiu por R$ 22 milhões e entrou no balanço por R$ 130 milhões.
A PF afirma que a operação cresceu com novas compras feitas pelo Hermon FIDC, ligado ao Digimais, que pagou R$ 20 milhões por cada uma de duas partes do crédito e remarcou cada uma para R$ 174,5 milhões. No total, direitos que teriam custado R$ 71 milhões apareceram nos balanços do grupo de Edir Macedo por R$ 741,3 milhões. O Banco Central identificou a fraude e determinou a reversão dos lançamentos, mas a PF aponta que o banco tentou contornar a correção ao vender as cotas para sua própria controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações, pelo valor inflado e com pagamento previsto apenas para 2032.
