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Dilma com mulheres sem-terra: maior volume de recursos do governo está na Previdência Social

Reportagem de Fernanda Canofre no Sul21.

A terça-feira (06) foi diferente para Eduarda, Júlia e Indaiá, em Nova Santa Rita, município a 40 minutos de distância de Porto Alegre. Cada uma viveu a ansiedade para o que vinha de forma diferente. Júlia diz que segurou o choro algumas vezes. Indaiá saiu da escola mais cedo para se preparar. Eduarda largou a mochila correndo e foi escolher detalhes da roupa que iria usar. Por volta das 16h30, elas iriam ver a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) falando com centenas de mulheres sem-terra, como elas, suas mães, irmãs, tias e primas.

Para as três meninas, nunca foi exatamente difícil imaginar um mundo em que uma mulher poderia ser presidente do Brasil. Julia e Indaiá tinham 6 anos quando Dilma foi eleita pela primeira vez. Eduarda tinha dois. As três cresceram vendo a foto dela, com a faixa verde e amarela, como a oficial do país. Ainda assim, dizem que ver até onde a petista chegou, também serve de modelo para elas.

“Porque ela é uma mulher que representa todas as mulheres. É muito bom saber que a gente pode chegar lá, ser presidente. Eu queria falar pra ela, que ela é muito especial”, afirma Indaiá Witcel Rubenich, 13.

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Dilma falou rapidamente sobre a Reforma da Previdência, uma das pautas urgentes do governo de Michel Temer (MDB), seu ex-vice, que não conseguiu ir à votação em fevereiro. Essa era a previsão do próprio Palácio do Planalto, que investiu em anúncios na TV e internet sobre as “vantagens” de aderir à nova forma.

“Por que eles querem ganhar a eleição? Porque eles não tiveram tempo de fazer a Reforma da Previdência. A eleição se aproximou, os deputados são tudo, menos suicidas, e não vão votar. Mas, não falaram que não iriam votar nunca. A ameaça está aí. Eu quero dizer pra vocês, não se iludam. Não é uma reforma para mudar a idade, ela é para acabar com a Previdência pública. Vai diminuir os benefícios dela, de forma que você tem que buscar a privada. Eles querem botar a mão nos bilhões de reais da Previdência. Eu quero que vocês saibam, que tenha essa informação: dentro do governo federal, o maior volume de recursos está no Ministério da Previdência Social. Não está na Fazenda, no Banco Central ou no BNDES. Está na Previdência. Botar a mão no dinheiro dela, foi feito nos EUA, em quase todos os países capitalistas do mundo e querem fazer aqui”.

A ex-presidenta, que foi Secretária de Energia do governo Olívio Dutra (PT), também criticou as vendas que vem sendo administradas pelo governo de seu vice. Vencer as eleições de outubro seria um passo importante, para quem esteve a favor do seu impeachment, conseguir terminar outros processos do golpe. As vendas de Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobrás, estariam entre os ativos a serem negociados.

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Dilma Rousseff. Foto: Guilherme Santos/Sul21