Dilma tenta reconciliação com MST após concessões ao agronegócio
No dia seguinte ao tumulto causado pelo Movimento dos Sem Terra na Praça dos Três Poderes, que deixou mais de 30 feridos, a presidente Dilma Rousseff recebeu um grupo de representantes da organização no Palácio do Planalto.
Ao fim do encontro, o primeiro no qual ouviu o MST falar diretamente de suas reivindicações e listar reclamações, ela prometeu criar um grupo interministerial para analisar ações emergenciais relacionadas à reforma agrária e anunciou que pretende acelerar o ritmo de assentamentos rurais.
Também deu a entender que, na troca do titular do Ministério do Desenvolvimento Agrário, pretende colocar alguém mais afinado com os sem-terra.
Os gestos são uma tentativa de Dilma de se reaproximar do MST neste ano eleitoral. Nos três primeiros anos de seu governo, ela reduziu o ritmo de assentamentos, ao mesmo tempo em que executava vários movimentos para se aproximar da bancada ruralista no Congresso e dos empresários do agronegócio, a quem fez uma série de concessões.
A reunião no Planalto não estava prevista. Foi definida na quarta-feira. No momento do tumulto envolvendo os sem-terra na Esplanada dos Ministérios, o ministro Gilberto Carvalho, que já havia recebido os líderes em nome do governo, ligou para dizer que Dilma havia encontrado um espaço em sua agenda.
No encontro, Dilma ouviu com atenção os sem-terra e, em mais de um momento, deu a entender que não tinha conhecimento dos fatos levados até ela. “Pode ser que ela não esteja sendo bem assessorada nessa área”, disse Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, ao sair da reunião.
“O conhecimento dela sobre reforma agrária é muito pequeno”, afirmou João Pedro Stédile, um dos mais antigos e conhecidos líderes, que também esteve presente.
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