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Despreparo e intolerância: Diretora diz que PM usou “narrativa machista” ao questionar aula sobre orixá

Professoras e policiais militares dentro de escola municipal em São Paulo
Professoras e policiais militares dentro de escola municipal em São Paulo. Foto: Reprodução

A professora que exercia interinamente a direção da EMEI Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo, disse que o tenente da Polícia Militar que entrou armado na escola elevou o tom de voz e adotou uma “narrativa impositiva e machista” ao contestar uma atividade sobre cultura afro-brasileira. O caso ocorreu após o pai de uma aluna de 4 anos acionar a polícia por causa de um desenho de Iansã feito pela criança. Com informações do G1.

Segundo a educadora, que preferiu não se identificar, os policiais demonstraram despreparo para lidar com uma questão pedagógica e recorreram à autoridade da farda quando ela explicou que a atividade seguia o currículo da rede municipal. “Na falta de saber o que fazer, quando eu apresentei os argumentos, ele usou uma narrativa impositiva e machista. Ele levantou o tom de voz comigo e com a servidora que estava ao meu lado”, afirmou.

Imagens de câmeras corporais registraram o atendimento da ocorrência. Em um trecho, o tenente Ronald Camacho acusa a então diretora de tentar “ditar sua ideologia”. A professora argumentou que o trabalho fazia parte de um projeto baseado nas leis federais 10.639 e 11.645, que determinam o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, e explicou que a atividade usava o livro infantil “Ciranda de Aruanda”.

A educadora também criticou a entrada de policiais armados em uma escola de educação infantil, inclusive com um fuzil, e relatou impactos pessoais após o episódio. Ela disse que desenvolveu sintomas de estresse pós-traumático, precisou se afastar do trabalho e fazer acompanhamento psicológico. O filho dela, que presenciou a discussão e estudava na unidade, também passou a ter medo de policiais e recebeu atendimento psicológico.