Nova facção surge em presídios do Rio e já reúne ao menos 60 presos

Uma dissidência do Povo de Israel (PVI) começou a se organizar em presídios do Rio de Janeiro após a morte de Avelino Gonçalves Lima, apontado como chefe do grupo, no ano passado. Batizada de Primeiro Comando do Golpe, a organização pode se tornar a quinta facção criminosa do estado. A Secretaria de Polícia Penal (Seppen) acionou seu setor de inteligência para identificar os detentos envolvidos e adotar medidas como isolamento e sanções disciplinares.
Os conflitos entre os grupos já provocaram relatos de espancamentos, ameaças de morte e incêndio em uma galeria. Em vistoria no Presídio Evaristo de Moraes, o Galpão da Quinta, em São Cristóvão, o Conselho Penitenciário do Estado do Rio ouviu presos que relataram medo de uma escalada violenta. “Ouvimos relatos de espancamentos, ameaças e medo de morte. Alguns presos disseram temer ser mortos dentro da unidade. Outros afirmaram que matariam na primeira oportunidade”, registra relatório do órgão.
O conselho classificou a situação como crítica em ofício enviado à Seppen em 9 de julho. Com capacidade para 1.497 pessoas, o Evaristo de Moraes abrigava 3.244 internos, taxa de ocupação de 217%. A secretaria negou os relatos de agressão, mas disse que toma medidas para enfrentar a superlotação. Um servidor da pasta afirmou que ao menos 60 presos já foram identificados no novo grupo e que a disputa se estende a várias unidades.
