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Divórcio depois dos 50 desafia casamentos de fachada; entenda

Separação depois dos 50 anos
Adultos maduros em cena associada à separação conjugal depois dos 50 anos. Foto: Reprodução.

A separação depois dos 50 anos deixou de ser exceção para muitos casais que passaram décadas juntos. Nos Estados Unidos, o chamado “gray divorce”, termo usado para definir o divórcio entre pessoas com 50 anos ou mais, dobrou entre 1990 e 2010. Embora as taxas tenham se estabilizado após a pandemia, quase 40% dos divórcios registrados atualmente ocorrem nessa faixa etária.

Especialistas associam o fenômeno ao aumento da expectativa de vida e à mudança nas expectativas sobre o casamento. Susan Brown, professora de Sociologia da Bowling Green State University e codiretora do National Center for Family and Marriage Research, afirma que parte da geração X e dos baby boomers já não aceita permanecer em “casamentos de fachada”, relações sem conexão real ou vitalidade. “Esta geração está vivendo mais do que as anteriores”, afirma Brown. “Isso pode estar mudando o cálculo sobre permanecer ou não em um casamento que já não tem tanto significado.”

O caso de Alan Hickenbottom, hoje com 67 anos, ilustra essa virada. Depois de mais de 30 anos de casamento, ele e a ex-esposa decidiram se divorciar em 2021, após dois anos de terapia de casal. Ele diz que não queria apagar a história construída pelos dois, mas percebeu que a relação havia se transformado mais em convivência doméstica do que em parceria romântica. “Eu não queria desvalorizar a vida que construímos juntos, mas aquela não era a forma como eu queria viver”, disse.

A decisão, porém, pode trazer custos financeiros e emocionais maiores para pessoas mais velhas. Alguns casais encerram a convivência sem formalizar o divórcio para evitar despesas e disputas. Ao mesmo tempo, aplicativos de namoro e novas redes de convivência ampliam a percepção de possibilidades após o fim de uniões longas. Segundo relatório de 2023 do Pew Research Center, 14% dos americanos na faixa dos 60 anos e 12% daqueles com 70 anos ou mais afirmaram já ter usado um aplicativo de namoro.